
Quem pesquisa e lê documentos e jornais antigos, encontra
o nome Manaus escrito de diversas formas, conforme a época,
e, não raro, surgem perguntas a respeito da origem e forma
de grafia do nome da capital amazonense. E depois de alguns anos,
em data mais recente, passou-se a fazer nova confusão sobre
a data em que a capital recebeu este nome.
Para responder a uma consulta do consulado do Japão em
Manaus, na década de 80, o Instituto Geográfico
e Histórico do Amazonas reuniu estudos de vários
de seus membros titulares, cabendo-me, além de pesquisas
próprias desenvolvidas, a redação do texto
final do documento informativo. Creio que foi a primeira síntese
elucidativa da questão.
O que temos é que o vocábulo MANAU era atribuído
a uma das muitas tribos que habitaram o rio Negro, compondo uma
das mais célebres confederações. Poucos são
os recursos para a classificação e divisão
dos povos encontrados na Amazônia, na opinião do
professor Antônio Braga Teixeira, ex-presidente do Instituto
Geográfico e Histórico do Amazonas e um apaixonado
por esses assuntos. É que toda a base de qualquer estudo
lingüístico só pode ser desenvolvida sobre
a fonética, sendo conhecida a escrita e com ela as regras
rígidas, da grafologia dos vocábulos.
Desta forma os etnólogos afirmam que os índios
Manau
são de origem aruaque, segundo se pode ver em Lima de Figueiredo
e Armando Levy Cardoso, citados pelo mestre André Vidal
de Araújo que também lembra a aparência da
grafia com
Manau e
Manoa.
Os estudos de Pedro Luiz Sympsom, Pe. Lemos Barbosa, Plínio
Ayrosa e Frederico G. Edelweiss demonstram, pela fonética
araucana ser mais certa, mais concordante com a língua
da tribo que originou o nome da capital do Estado do Amazonas,
a grafia
Manau, com U e não
Manao como
eles bem demonstram as profundas e diversas razões etmológicas
para a alteração da grafia. Sabemos que não
existe em qualquer gramática que discipline a ortografia
de termos aruaques incorporados à Língua Portuguesa
determinação da pronúncia ou da grafia de
Manaus com a letra U. Na língua arauaca, como prelecionou
André Araújo o O tem dois sons: fechado na forma
de avô e aberto na forma de socó. Assim a pronúncia
indígena verdadeira da palavra deve ser
Manaus
e nunca
Manaôs ou
Manaós. É
como etimologicamente deve ser grafada.
O professor Arthur Cezar Ferreira Reis, às paginas 77 de
sua obra
História do Amazonas, lançada
em primeira edição em Manaus em 1931, em nota de
rodapé mostra que “
Antônio Brandão
de Amorim e outros conhecedores do nheengatú preferem graphar
Manau, embora ele mesmo, conhecedor dos mais profundas das
coisas do Amazonas, naquela mesma obra, grafasse com a letra "O“.
O mesmo fato o escritor repetiria em 1935, em outro trabalho de
sua lavra.
Octaviano Mello a quem devemos consideráveis estudos mais
recentes, mostra o contraste de Manaus como uma das formas femininas
de Manouh, Manou, Manu, Mani, que são abreviações
do nome hebraico – Manouchyaka e duas variações,
donde veio a palavra indo-tupi, Houcha, homem ou gênio nascido
em Manou, significando conforme evidenciado às páginas
36 de seu livro
Topônimos Amazonenses,
Deus
dos Índios.
A palavra Manaus tem sido grafada de diversas formas: Manou, Manau,
Manao, Manaó, Manaha, Manave, Macnal, Manouh, Manouâ,
Manáos.
Fundada em 1669 a partir do forte de São José da
Barra do Rio Negro, a sede da Capitania e a sede da Província,
estabelecida à margem esquerda do rio Negro, tinha seu
nome escrito com a letra O, portanto era grafada Manaos.
Em 1862, na edição da tipografia de Francisco José
da Silva Ramos, aparece a grafia Manáus, na capa do folheto
de Antonio David Vasconcellos Canavarro, tratando do problema
do cólera-morbus, e, na última página do
referido estudo, está grafado Manaos.
Na obra
Notizie Interessanti sulla Província delle
Amazzzoni – nel nord Del Brasile, editada em Roma em
1882, está grafado
Manaos, repetidas vezes no
corpo da breve memória traçada por um missionário
franciscano.
Em 1908, publicado pela Tipografia J. Renaud & Comp., o escritor
Bertino de Miranda lançava seu livro sobre Manaus, trazendo
a grafia com a letra U.
Vê-se, pois, que embora houvesse uma grafia de uso mais
corrente, outras formas também eram utilizadas.
Embora desde o dia 19 de março de 1937 os atos oficiais
estivessem trazendo a grafia Manaus, como se vê do Decreto
nº 117, publicado no Diário Oficial do Estado de nº
12.589, somente a 14 de julho de 1939 em sua edição
de nº 13.192 o órgão oficial do Estado faria
a correção do termo em seu cabeçalho, passando
a grafar, definitivamente
Manaus.
Fato interessante a ser registrado é que o primeiro ato
oficial assinado pelo governador a trazer a grafia Manaus, como
hoje é escrita, concedia prêmios a estudantes do
curso secundário. Era governador o professor e poeta Álvaro
Botelho Maia, na sexta-feira, 19 de março de 1937.
A capital amazonense recebeu este nome, pela primeira vez em 1832
em decorrência do art. 27 do Código de Processo Criminal
que erigiu o Lugar da Barra do Rio Negro à condição
de Vila com a denominação de Manáos, passando
a ser sede oficial da nova unidade político-administrativa
criada: a Comarca do Alto Amazonas.
Em 24 de outubro de 1848 através da lei nº 145, a
Vila de Manáos foi elevada á categoria de Cidade
com a denominação de Cidade da Barra do Rio Negro.
Somente pela Lei nº 68 de 4 de setembro de 1856, cujo projeto
foi do deputado provincial João Ignácio Rodrigues
do Carmo, a Cidade da Barra do Rio Negro passou a ser denominada
Cidade de Manáos, sede e capital da Província do
Amazonas.
Somente após acordo ortográfico entre Brasil e Portugal,
e o uso rotineiro da expressão Manaus, é que a grafia
atual foi consolidada.