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  Cronologia do Carnaval ( Robério Braga )

Havia pouco que o presidente do Estado do Amazonas, Eduardo Ribeiro, assumira o governo a 11 de março de 1892, e decidira “reurbanizar Manaus” com a abertura de bulevares e a modernização completa da cidade. Em dezembro de 1896 inaugurava-se o Teatro Amazonas.

É que em 1899 Chiquinha Gonzaga dava novo ânimo ao “Cordão Rosas de Ouro”, compondo a música carnavalesca intitulada “Ô Abre Alas”, sucesso que invade os salões e festas ainda hoje. Era a primeira canção carnavalesca do Brasil, que ela levou ao Clube Euterpe, bem acompanhada de um jovem insinuante. Afinal, para quem abandonara o primeiro marido em 1869, num quadro social tão adverso, tudo o mais era boêmia.

Mesmo assim o carnaval ainda não era notícia frequente na imprensa, nem fato social relevante.

O ritmo carnavalesco estava longe de vencer o maxixe, as toadas de violão, as modinhas e a serenata. O samba estava aparecendo lentamente nos morros, nascido do lundu, cujo ponto alto é a umbigada, e ainda era proibido pela polícia.

Afinal, estávamos só em 1904 e o Rio travava a sua batalha com a vacina, enquanto Machado de Assis dava a público o seu livro festejado “Esau e Jacó”. Euclides da Cunha ainda não viera a Manaus, mas sonhava realizar este sonho, clamando a todos que pudessem ajudá-lo.

1905 - A Confeitaria Colombo logo seria o ponto dos intelectuais parnasianos, e com eles, em certo momento, Raimundo Monteiro o poeta amazonense das barrancas de Humaitá ganharia algum espaço, inclusive publicando o seu livro Voluptas, bem festejado à época. O carnaval de Manaus neste ano foi bastante animado. Foliões e carros alegóricos ocuparam as ruas. Cartões postais foram feitos especialmente para registrar a animação. Nery era o governador.

O requinte dos cafés e a novidade do flirt mostram a modernidade no ano seguinte. E já no outro fevereiro, surgiu o “Rancho Escola Ameno Resedá”, com os compositores Sinhô e Ernesto Nazareth, no Rio de Janeiro. A Comissão Rondon conseguia a proeza de ligar a Amazônia com a capital federal, através do telégrafo, e Ruy Barbosa fazia fama em Haia.

1910 - O mercado da borracha explode. Clemenceau vem ao Brasil, critica a falta de leis sociais e é homenageado pelo senador do Amazonas, o também médico Jorge de Moraes. Ruy Barbosa enfrenta o militarismo com a chamada campanha civilista. Manaus é bombardeada e o governador Antônio Bitencourt viaja a procura de defender seus direitos. Quase não consegue voltar.

1911 - Um fado, em ritmo de marcha, é o sucesso do carnaval. O “Fado Liró”, do paulista Nicolino Mirano, enquanto o Padre Cícero Romão Batista procura fazer a paz dos colonos com os coronéis no nordeste. A moda jupe-culotte, causa furor no Rio de Janeiro e a artista Guiomar Novais estréia em Paris. O “Café do Rio” vira sensação.

1912 - A marcha portuguesa denominada “Vassourinha”, de Luis Figueira e Felipe Duarte faz sucesso. O barão do Rio Branco morre. O Brasil começa a ser chamado de “A república dos bacharéis”. O cinema está na moda. É a vez de Francesca Bertini e o cinema nacional vê proibido o filme “ Almirante Negro”, que contava a história de João Cândido, em 1910. A economia da borracha começa a ir por água abaixo e Manaus ainda vivia a orgia dos anos de opulência.

1914 - Nair de Tefé ocupa espaços. Caricaturista, introduz o violão nos saraus do Palácio do Catete e lança o maxixe “Corta Jaca” de Chiquinha Gonzaga. Ela era a primeira dama do País e Hermes da Fonseca governava. O Amazonas também participa do esforço de guerra. O período de governo é duro. Jonathas Pedrosa governava o Estado depois de ter vivido os graves acontecimentos de 1913.

1917 - O Brasil declara guerra a Alemanha. Anita Mafalti escandaliza São Paulo. No Amazonas encerra-se o governo de Jonathas Pedrosa. O samba “Pelo Telefone” feito por Sinhô ganha o público, mas foi Donga quem o registrou. O carnaval ganha novo embalo. Começa o governo amazonense do baiano Pedro Bacellar, debaixo de bala. Surge o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas.

1933 - Nasce o Rei Momo, uma criação dos jornalistas de “A Noite”, no Rio de Janeiro. Um boneco de papelão colorido, com uma coroa de lata, com formas rotundas e que comanda a folia. A artista Carmen Miranda preparava-se para atuar no filme “Voz do Carnaval” e Noel Rosa lança a música “Fita Amarela”, depois dos sucessos de “Três Apitos”, “Feitio de Oração” e “Até Amanhã”.

O Carnaval passa a sofrer a influência do governo, sendo oficializado pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

O Amazonas vive sob o governo de Álvaro Maia que seria longo, durando todo o período getulista e sobrevivia defendendo o direito aos recursos da indenização do Acre.

1934 - Morre o padre Cícero. Vargas é eleito presidente da República. Noel Rosa e Kid Pepe lançam a música “O orvalho vem caindo” e Lamartine Babo faz sucesso com “História do Brasil”.

Um folião gordo substitui o boneco de papelão do ano anterior e vira Rei Momo, recebendo as chaves da capital do País das mãos do prefeito A Peixoto.

1935 - Bidu Sayão encanta. O bloco “Vai como Pode”, trocou o nome para Portela. “Cidade Maravilhosa”, de André Filho, é o sucesso dos salões. O rádio é o grande charme. Noel Rosa compõe as festejadas músicas “ Feitiço da Vila” e “Conversa de Botequim”. Carmem Miranda faz sucesso no filme “Alô, Alô, Brasil!”, dirigido por João de Barro e Alberto Ribeiro. Patrícia Galvão é presa no Rio. Os integralistas estão com prosa.

Reabre-se o Legislativo, inclusive no Amazonas. Ainda que por curto período julga-se que tudo vai voltar ao normal na vida democrática.

1936 - Graciliano Ramos é preso. Noel Rosa lança o samba de breque com o seu “Palpite Infeliz”. Luis Carlos Prestes é preso. O sucesso do carnaval é a música “Pierrô Apaixonado” de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres. O corso espalhou alegria. Estamos na Era do Rádio. “Sobrados e Mocambos” de Gilberto Freye e “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque são os livros que vêm a público e alcançariam grande sucesso. O filme musical da Cinédia “Bonequinha de Seda” é sucesso sob a direção de Oduvaldo Viana. Bidu Sayão vem a Manaus e canta no Teatro Amazonas depois de se apresentar em Belém, e faz sucesso. Antônio Maia era Prefeito. Álvaro Maia Interventor Federal.

1937 - Morre Noel Rosa. O sucesso do carnaval é a música “Mamãe eu quero” de Vicente Paiva e Jararaca. Carmen Miranda sai de “Camisa Listrada” e faz sucesso. Por decreto do presidente Getúlio Vargas as escolas de samba devem dar caráter didático a suas apresentações. Oswaldo de Andrade publica “O Rei da vela”. O conhecido livro “Capitães de Areia“ de Jorge Amado é queimado em praça pública na Bahia e São Paulo. A moda feminina se modifica, deixando o preto e branco de lado. Surge a Confederação Brasileira de Futebol - CBF. Tudo é Estado Novo. Em Manaus Álvaro Maia é confirmado como Interventor no novo regime.

1938 - Carmen Miranda sai de baiana pela primeira vez no filme “Banana da Terra”. “As Pastorinhas” de Noel Rosa e João de Barro e “Yes, nós temos bananas” de João de Barro, fazem sucesso no carnaval. O livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos chama a atenção para o nordeste. Lampião é morto. Políticos exilados. A imprensa é censurada.

1939 - Ari Barroso lança a música “Aquarela do Brasil” cantada por Francisco Alves. O Brasil descobre Petróleo. Os Integralistas crescem . O DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda do governo federal, age com crueza contra a produção cultural.

O movimento integralista em Manaus ganha adeptos a partir de Paulo Eleheutério.

1940 - Portinari ganha Nova Iorque. Carlos Drumund publica “Sentimento do Mundo”. Dorival Caymi lança “O Samba da Minha Terra”, com o grupo musical "O Bando da Lua" .O comitê central do Partido Comunista é desmantelado. Surge o salário- mínimo. Patrícia Galvão é solta. Getúlio Vargas se transforma em “pai dos pobres”. Procópio Ferreira atua na peça “Maria Cachucha”, no Rio de Janeiro. Getúlio Vargas vem a Manaus, fazendo também uma grande visita ao norte do País. É recebido por lideranças locais e promete a redenção econômica do Estado.

1941 - A Escola de Samba da Portela ganha o carnaval do Rio de Janeiro. Mário de Andrade publica “Poesias”. A Aeronáutica ganha Ministério. Getúlio Vargas entra para a Academia Brasileira de Letras. Carmem Miranda faz sucesso em Hollywood. Surge o programa “Repórter Esso”.

1942 - A música “Ai que saudades da Amélia”, surge das mãos de Ataulfo Alves e Mário Lago. O Brasil reage ao fascismo. Surge o cruzeiro, como moeda nacional, abandonando o mil-réis. Jorge Amado, com 30 anos, lança os livros “O Cavaleiro da Esperança” e “Terras do Sem Fim”.

1943 - Estréia “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues. Surge a FEB- Força Expedicionária Brasileira. Grande Otelo põe a Atlântida na ordem do dia com o filme “ Moleque Tião” , dirigido por José Carlos Burle. Surge a CLT - Consolidação das Leis do Trabalho.

1944 - Oscarito é sucesso. “Marquesa de Santos” é a peça do ano. A FEB vai para a guerra.Vários amazonenses morrem na batalha.

1947 - GetulioVargas é deposto. Eurico Gaspar Dutra é eleito Presidente da República.Os militares chamados de Pracinhas voltam da Guerra com medalhas. Luis Carlos Prestes é libertado. Morre Mário de Andrade. No cinema estávamos com “Não adianta chorar” com Oscarito e Grande Otelo e “O Gol da Vitória”, de José Carlos Burle.

1948 - Lança perfume em frascos metálicos, invade o carnaval. São várias as marcas: Rodo, Rodouro, Flirt e Rigoletto. As músicas da folia são “Não me diga adeus”, com Araci de Almeida, e “ É com esse que eu vou”, de Pedro Caetano, além de outras.

1950 - Inaugurado o Estádio do Maracanã no Rio de Janeiro. As músicas “General da Banda”, com Blecaute, e “Nega Maluca”, com Linda Batista, são o sucesso do carnaval. O rádio e o carnaval se entendem muito bem. O pato Donald estréia na editora Abril. O Brasil perde a Copa do Mundo de futebol, dentro do estádio do Maracanã. Surge a primeira emissora de TV. A TV Tupi. Getúlio Vargas é eleito Presidente da República pelo voto do povo. Marlene é a rainha do rádio. Aproxima-se o fim do “alvarismo”, no Amazonas.

Nota:
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Com esta série Memória faz-se uma síntese cronológica informativa da história do carnaval no Brasil, entremeada de fatos de interesse da cronologia de fatos no Amazonas. Os limites do período são de 1898 a 1950, e deve servir a quem se interesse pela música carnavalesca e por fatos pitorescos que recebem aqui uma pista a ser utilizada pelos pesquisadores para a ampliação em outros trabalhos.



 
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