
Surgiu com a designação de
Lyceu Provincial
Amazonense, através do Regulamento n° 18,
de 14 de março de 1869, do Presidente da Província
João Wilkens de Mattos, sendo instalado nas dependências
do Seminário Episcopal de São José, que à
época, localizava-se onde hoje se ergue uma das agências
do Banco do Brasil, à Rua (antiga Praça) 15 de Novembro.
Segundo o diretor da Instrucção Pública,
“o que se refere à instrucção secundária,
cumpria antes de tudo, dar forma e vida ao que de Lyceu tinha
apenas o nome e os encargos. Sem organização, sem
centro nem direcção, formava elle, com o seminário,
uma cousa monstruosa e hybrida, que não era nem seminário,
nem Lyceu. Fosse porém o que fosse, estabelecimento de
ensino, affirmo-vos que não era de certo. Desliguei-o de
todo d'aquelle instituto e dei-lhe uma direcção
própria e conveniente”.
Posteriormente funcionou em um sobrado à Rua da Imperatriz,
hoje Lobo D'Almada, durante alguns anos, transferindo-se mais
tarde para o casarão do Comendador Francisco de Souza Mesquita,
situado à Rua da Independência (atual Henrique Antony)
esquina com a Rua Comendador Victório, onde estava instalado
o Asilo Orfanológico
Elisa Souto destinado
às meninas órfãs, de onde mais uma vez mudou-se
para o prédio da Polícia Militar do Estado, à
Praça da Constituição, hoje, Heliodoro Balbi.
Entretanto, ressentia-se o Curso Secundário de instalações
condizentes e dessa forma, o Presidente da Província, Satyro
de Oliveira Dias, através da Lei Provincial n° 506
de 4 de novembro de 1880, foi autorizado a mandar construir um
edifício que viesse abrigar condignamente os cursos existentes
no Lyceu Provincial, dando-lhe as condições exigidas
pela Moderna Pedagogia.
Em 25 de março de 1881, foi colocada a pedra fundamental,
pelo referido Presidente, sendo a mesma, benta pelo vigário
da Freguesia de Nossa Senhora dos Remédios, Pe. João
Rodrigues D'Assumpção, em terreno adquirido à
Custódio Pires Garcia e uma parte desapropriada ao Tenente
João Sebastião da Silva Lisboa, situado à
Rua Municipal, atual Av. 7 de Setembro.
Enquanto se processava a construção do Colégio,
os alunos do
Lyceu foram transferidos do Prédio
da Polícia Militar para um galpão localizado à
Praça Roosevelt, ao lado do atual Banco Real, daí,
retornando ao casarão, já ocupado anteriormente,
lá ficando até o momento em que foram trazidos para
o novo prédio construído em alvenaria de pedra e
tijolo, com dois pavimentos e um porão em condições
de uso, tendo na sua fachada principal, em pedra de cantaria quatro
belas colunas além de imponente escadaria.
Este Colégio, recebeu o nome de
Gymnasio Amazonense,
forjado nos moldes do Colégio Pedro ll, do Rio de Janeiro,
se constituindo num “instituto oficial de estudo secundário,
mantido pelo Estado do Amazonas, tendo por fim ministrar e difundir
um ensino racional e prático de letras e ciências
baseado no método de seriação progressiva...
e dar, por meio de disciplina rigorosa, uma sã e esmerada
educação aos alunos, visando assim, paralelamente,
seu desenvolvimento mental e moral”.
Aos cinco dias do mês de setembro do ano de 1886 no salão
nobre, o Presidente da Província, Dr. Ernesto Adolpho de
Vasconcelos Chaves inaugurou solenemente o novo Colégio.
A Ata de inauguração foi assinada pelo Presidente,
autoridades, pessoas presentes e pelo escrivão de Obras
Públicas, Antônio D'Amorim.
Para este prédio, transferiu-se o “
Lyceu,
a Escola Normal e a Diretoria da Instrução Pública
(1887), o Museu Botânico (1888), a Biblioteca Pública,
o Arquivo Público e o Setor de Estatística e Obras
Públicas (1889), a Assembléia Legislativa, o Tiro
de Guerra e o Grupo Escolar Barão do Rio Branco”.
Estas são apenas algumas das instituições
que aí funcionaram.
Em 1890, o Governador Augusto Ximenes de Villeroy, extinguiu o
Lyceu Amazonense através do Decreto n°
15, de 17 de janeiro e nessa mesma data, com o Decreto n°
16, transformou a Escola Normal em Instituto Normal Superior,
regulamentado conforme o Decreto n° 32, de 19 de fevereiro
desse mesmo ano.
A 13 de outubro de 1893, com o Decreto n° 34, criava-se o
Gymnasio Amazonense, em substituição
ao Instituto Normal Superior, sendo a ele anexado o Curso Normal,
destinado a preparar professores para as Escolas Públicas.
No decorrer de sua existência, foram criados vários
cursos que viriam beneficiar a juventude carente de nosso Estado,
tais como o Curso de Agrimensura Lei n° 69 de 24 de agosto
de 1894), o Curso Comercial (Decreto n° 213, de 27 de dezembro
de 1897). A estes, seguiu-se uma dezena de outros como por exemplo:
Pré-médico, Humanidades, Clássico, Científico,
Laboratório, Saúde, Patologia Clínica, Acadêmico,
etc., sempre buscando acompanhar a própria evolução
educacional do País.
A história do
Colégio Amazonense Dom Pedro
II, desde sua origem, é assinalada pela afirmação
das lutas na busca de um ideal renovador e a razão do entusiasmo
da Juventude que de geração em geração,
sempre ávida de glórias, sedenta de instrução,
vai a caminho de um futuro de respeito e veneração,
mesmo nos momentos mais graves de sua vida, com acontecimentos
marcados, muitas vezes pela desordem, agressão, como no
caso da Revolta de junho de 1915, quando descontentes com o ensino
ali ministrado que não satisfazia seus anseios, enfrentando
crise moral e material, os alunos num movimento sistematizado
de indisciplina, promoveram uma depredação desenfreada,
gerando anarquia e terror, forçando o Diretor, os professores
e os funcionários “a abandonar o edifício,
deixando-o entregue à sanha dos estudantes amotinados”,
tendo como resultado o fechamento do Colégio que só
retornou às suas atividades normais em março de
1916. Essa Revolta concorreu para que houvesse uma Reforma de
Ensino com a elaboração de um novo regimento para
o Colégio no qual constava um item renovador que dava responsabilidade
aos “pais, tuctores ou protectores dos alumnos pelos delictos
que estes pratiquem”, além da recuperação
do prédio danificado.
Um outro movimento estudantil de maior vulto e digno de destaque
é a famosa
Revolução Ginasiana de
30, quando todo o País encontrava-se num estado
de agitação e alerta em decorrência dos acontecimentos
político-econômicos que conturbavam a nação.
Aqui em Manaus, a Polícia Civil imbuída de grandes
poderes, perseguia, prendia e espancava os estudantes que faziam
comícios e praticavam, muitas vezes, arruaças nos
bares, praças e ruas da cidade. Aproveitando-se da situação
instável que atravessava o país, estes estudantes
iniciaram um movimento contra a Polícia, que culminou com
o envolvimento do Exército, finalizando com a rendição
desta mesma Polícia e a ocupação do seu prédio
pelos jovens revolucionários. O Governador Dorval Porto
foi deposto e esses mesmos jovens o escoltaram do Palácio
até as dependências do Grande Hotel, onde ficaria
hospedado. Foram momentos de glória para a juventude Ginasiana
que briosamente tomou parte neste movimento.
Estes são apenas alguns dos inúmeros problemas enfrentados
por essa tradicional Instituição de Ensino, que
põe a prova a capacidade administrativa de seus dirigentes,
como também seu juramento de fé.
O
Colégio Amazonense Dom Pedro II, teve,
no decorrer de sua longa existência, o seu nome alterado
inúmeras vezes, como seja: de
Lyceu Provincial
para
Gymnasio Amazonense e em seguida
Gymnasio
Amazonense Dom Pedro II (Decreto Interventorial nº
113, de 28 de novembro de 1925 do Dr. Alfredo Sá), em homenagem
ao último Imperador do Brasil, Dom Pedro D'Alcântara
de Orlleans e Bragança. Através do Decreto nº
46, de 19 de fevereiro de 1938, voltou a chamar-se
Gymnasio
Amazonense, alguns anos mais tarde, denominado
Colégio
Estadual do Amazonas (Decreto nº 1007, de 19 de
abril de 1943, obedecendo ao Decreto Lei Federal nº 4244,
de 9 de abril de 1942 e Portaria Ministerial nº 161-A, de
27 de fevereiro de 1943, era interventor do Amazonas o Dr. Álvaro
Botelho Maia). Em 1971, Decreto nº 2064, de 09 de março,
o Governador Danilo de Mattos Areosa o transformou em
Unidade
Educacional Colégio Estadual do Amazonas. Em 1975,
o Governador Ministro Henoch Reis (Lei nº 1150, de 3 de dezembro),
devolve-lhe o nome de
Colégio Amazonense Dom Pedro
II. O Governador Dr. José Bernardino Lindoso,
transforma-o em Unidade Educacional Centro II com a denominação
de Escola de 1º e 2º Grau Dom Pedro II (Decreto nº
4870, de 24 de março de 1980). O Governador em exercício,
Dr. Paulo Pinto Nery manteve a denominação de
Colégio
Amazonense Pedro II (Decreto nº 5702, de 17 de julho
de 1981). Com o Decreto nº 6248, de 6 de abril de 1982, o
Governador Dr. José Bernardino Lindoso denominou-o
Colégio
Amazonense Dom Pedro II.
Fontes:
1. AMAZONAS, Leis, Decretos, etc. 3ª Coleção
das Leis da Província do Amazonas de 1880. Manáos,
Typographia do Amazonas, 1880. Tomo XXVIII - Parte Primeira.
2. Relatórios da Presidência da Província
do Amazonas desde sua criação até a proclamação
da República, Mandados colecionar pelo Governador Coronel
Silvério José Nery e novamente publicado por ordem
do Coronel Antônio Constantino Nery, atual Governador do
Estado do Amazonas. Vol. 1, 1852-1857. Rio de Janeiro, Typ. do
Jornal do Commércio, 1906
3. Vol. II, 1858-1862. Rio de Janeiro, Typ. do Jornal do Commércio,
1906
4. Vol. III, 1863-1870. Rio de Janeiro, Typ. do Jornal do Commércio,
1907.
5. Secretaria dos Negócios do Interior. Relatório
apresentado ao Exmo. Sr. Dr. Fileto Pires Ferreira, Governador
do Estado pelo Secretário dos Negócios do Interior
em 05 de Janeiro de 1898. Administração de 1896
a 1900. s.l., s. ed. 1898.