
Em 1982 festeja-se em Manaus o centenário de nascimento
de padre Agostinho Caballero Martins, o “educador de um
século”, segundo João Chrisóstomo de
Oliveira. Espanhol de Ávila nasceu em 28 de agosto de 1882.
Ordenou-se sacerdote salesiano em 1910. Enviado ao Amazonas dedicou
quase quarenta anos de sua existência ao ensino. Fundou
o até hoje tradicional Colégio bom Bosco. Formou
gerações e gerações, que em reconhecimento
encetaram os festejos do centenário em sua memória,
já que morreu em 1962.
Em 28 de agosto de 2002, completou 120 anos de seu nascimento,
passo então a relembrar fatos gratificantes, principalmente
o de encontrar seu nome inscrito como
Cidadão Benemérito
de Manaus, e as circunstâncias de como eu o vi e conheci.
Era bem pequena, mas recordo das visitas que fazia à nossa
família geralmente no começo da noite para conversas
amenas entre patrícios (todos espanhóis). Ele já
tem com a fama de pequeno na estatura, mas grande educador. Lembro
do seu Jubileu de Ouro sacerdotal em 1960 comemorado em missa
solene na igreja antiga. Foi o idealizador da peregrinação
da imagem de Nossa Senhora Auxiliadora por todo o Brasil. À
época isto consistia num fato arrojado, pois Manaus ficava
distante do resto do Brasil e tudo era de extrema dificuldade
tanto no setor econômico, quanto na precariedade dos meios
de comunicação etc. Esta imagem se encontra ainda
hoje no Santuário Dom Bosco (Manaus) e possui, uma história
merecedora de registro: É a imagem que o próprio
São João Bosco e abençoou na primeira missão
apostólica dos salesianos que vinham de Turim para o Brasil.
E esta imagem foi concedida a padre Agostinho “para iluminar
os exaustivos trabalhos que iriam enfrentar no longínquo
Amazonas”. No dia chuvoso de sua morte em 19 de dezembro
de 1962, nesse dia tenho certeza, Manaus, toda Manaus estava ali
presente. A “Coordenação dos festejos do Centenário”
era presidida pelo Dr. Mário Jorge Couto Lopes, ex-aluno
e amigo pessoal de pe. Agostinho. A comissão tinha a idéia
de imortalizar a figura do sacerdote e um dos eventos comemorativos
foi o de convidar ex-alunos ou não, para escrever sobre
sua figura nos vários jornais da cidade. Depois as crônicas
foram compiladas e publicadas em edição especial
de 16 páginas. Eu, a única mulher (não sei
por que misteriosos desígnios) convidada a escrever sobre
pe. Agostinho sob o título “Um pedaço do céu”
em “A Notícia” 22/08/1982 e responsável
pela matéria jornalística sobre a festividade enviada
ao jornal “La Región” (Madri) do qual sou correspondente
desde 1980. Escreveram sobre ele: Epaminondas Barahuna, Joaquim
Pessoa Igrejas Lopes, Farias de Carvalho, Robério Braga,
João Mendonça de Souza, Aristófanes Castro,
Waldemar Batista Sales, Neper Antony, pe. Nonato Pinheiro, Lúcio
Cavalcanti, João Nogueira da Mata, José Cidade de
Oliveira, João Chrisóstomo de Oliveira, Jefferson
Peres, Flaviano Limongi e eu.
Foi Lançado também um livro sobre o padre denominado
Reminiscências de uma Vida (João Nogueira
da Mata) e doado por ex-alunos um busto de bronze do ilustre mestre,
também passando a levar seu nome a nova biblioteca do Colégio.
Como zênite de inúmeras comemorações
estava inclusa sessão de gala na Academia Amazonense de
Letras centrada em sua laboriosa vida recebendo homenagens póstumas
pela centúria de ex-alunos, vários deles pertencentes
à Academia de Letras. Nesta homenagem a um homem memorável.
Peço empréstimo do ex-aluno, poeta Farias de Carvalho,
trechos de seu soneto “Ao irmão Agostinho”,
que diz “...Como viste, foste, /
Cavalgando uma Estrela!
a mesma, / exatamente a mesma / que não achávamos
nunca / porque o mundo vendava os nossos olhos e não sabíamos
/ que ela estava no pátio e não no céu. /
Como vieste foste,
Cavalgando um Estrela...”
Sua vida se encontra registrada no livro
Dicionário
Amazonense de Biografias de Agnello Bittencourt, figurando
ao lado de personalidades renomadas que fizeram a história
da terra. Nada mais apropriado que a transcrição
do soneto de autoria de padre Nonato Pinheiro (da Academia Amazonense
de Letras) sobre sua pessoa: “Já repousas no céu,
padre Agostinho / depois de dezesseis lustros de vida / Oitenta
anos de luz e insana lida / mostrando à mocidade o bom
caminho / Tua alma sempre em flor, alma de arminho / Tornava-te
a batia preferida / em meio a petizada protegida / na casa de
Dom Bosco, flóreo ninho / Como em frasquinho cabe muita
essência / foste gigante em corpo pequenino / Qual no sacrário
a augusta Onipotência / Em vez do De-profundis, canto um
hino / Porque chegastes ao fim de tua existência / Sem deixares
jamais de ser menino”.