Domingo, 19 de Maio de 2013
  
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 Pe. Agostinho – educador de um século ( Carmen Novoa Silva )

Em 1982 festeja-se em Manaus o centenário de nascimento de padre Agostinho Caballero Martins, o “educador de um século”, segundo João Chrisóstomo de Oliveira. Espanhol de Ávila nasceu em 28 de agosto de 1882. Ordenou-se sacerdote salesiano em 1910. Enviado ao Amazonas dedicou quase quarenta anos de sua existência ao ensino. Fundou o até hoje tradicional Colégio bom Bosco. Formou gerações e gerações, que em reconhecimento encetaram os festejos do centenário em sua memória, já que morreu em 1962.

Em 28 de agosto de 2002, completou 120 anos de seu nascimento, passo então a relembrar fatos gratificantes, principalmente o de encontrar seu nome inscrito como Cidadão Benemérito de Manaus, e as circunstâncias de como eu o vi e conheci. Era bem pequena, mas recordo das visitas que fazia à nossa família geralmente no começo da noite para conversas amenas entre patrícios (todos espanhóis). Ele já tem com a fama de pequeno na estatura, mas grande educador. Lembro do seu Jubileu de Ouro sacerdotal em 1960 comemorado em missa solene na igreja antiga. Foi o idealizador da peregrinação da imagem de Nossa Senhora Auxiliadora por todo o Brasil. À época isto consistia num fato arrojado, pois Manaus ficava distante do resto do Brasil e tudo era de extrema dificuldade tanto no setor econômico, quanto na precariedade dos meios de comunicação etc. Esta imagem se encontra ainda hoje no Santuário Dom Bosco (Manaus) e possui, uma história merecedora de registro: É a imagem que o próprio São João Bosco e abençoou na primeira missão apostólica dos salesianos que vinham de Turim para o Brasil. E esta imagem foi concedida a padre Agostinho “para iluminar os exaustivos trabalhos que iriam enfrentar no longínquo Amazonas”. No dia chuvoso de sua morte em 19 de dezembro de 1962, nesse dia tenho certeza, Manaus, toda Manaus estava ali presente. A “Coordenação dos festejos do Centenário” era presidida pelo Dr. Mário Jorge Couto Lopes, ex-aluno e amigo pessoal de pe. Agostinho. A comissão tinha a idéia de imortalizar a figura do sacerdote e um dos eventos comemorativos foi o de convidar ex-alunos ou não, para escrever sobre sua figura nos vários jornais da cidade. Depois as crônicas foram compiladas e publicadas em edição especial de 16 páginas. Eu, a única mulher (não sei por que misteriosos desígnios) convidada a escrever sobre pe. Agostinho sob o título “Um pedaço do céu” em “A Notícia” 22/08/1982 e responsável pela matéria jornalística sobre a festividade enviada ao jornal “La Región” (Madri) do qual sou correspondente desde 1980. Escreveram sobre ele: Epaminondas Barahuna, Joaquim Pessoa Igrejas Lopes, Farias de Carvalho, Robério Braga, João Mendonça de Souza, Aristófanes Castro, Waldemar Batista Sales, Neper Antony, pe. Nonato Pinheiro, Lúcio Cavalcanti, João Nogueira da Mata, José Cidade de Oliveira, João Chrisóstomo de Oliveira, Jefferson Peres, Flaviano Limongi e eu.

Foi Lançado também um livro sobre o padre denominado Reminiscências de uma Vida (João Nogueira da Mata) e doado por ex-alunos um busto de bronze do ilustre mestre, também passando a levar seu nome a nova biblioteca do Colégio. Como zênite de inúmeras comemorações estava inclusa sessão de gala na Academia Amazonense de Letras centrada em sua laboriosa vida recebendo homenagens póstumas pela centúria de ex-alunos, vários deles pertencentes à Academia de Letras. Nesta homenagem a um homem memorável. Peço empréstimo do ex-aluno, poeta Farias de Carvalho, trechos de seu soneto “Ao irmão Agostinho”, que diz “...Como viste, foste, / Cavalgando uma Estrela! a mesma, / exatamente a mesma / que não achávamos nunca / porque o mundo vendava os nossos olhos e não sabíamos / que ela estava no pátio e não no céu. / Como vieste foste, Cavalgando um Estrela...”

Sua vida se encontra registrada no livro Dicionário Amazonense de Biografias de Agnello Bittencourt, figurando ao lado de personalidades renomadas que fizeram a história da terra. Nada mais apropriado que a transcrição do soneto de autoria de padre Nonato Pinheiro (da Academia Amazonense de Letras) sobre sua pessoa: “Já repousas no céu, padre Agostinho / depois de dezesseis lustros de vida / Oitenta anos de luz e insana lida / mostrando à mocidade o bom caminho / Tua alma sempre em flor, alma de arminho / Tornava-te a batia preferida / em meio a petizada protegida / na casa de Dom Bosco, flóreo ninho / Como em frasquinho cabe muita essência / foste gigante em corpo pequenino / Qual no sacrário a augusta Onipotência / Em vez do De-profundis, canto um hino / Porque chegastes ao fim de tua existência / Sem deixares jamais de ser menino”.


 

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