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 PANTANAL

Com uma área aproximada de 140.000 km2, a planície do pantanal é considerada a maior área úmida contínua do mundo. Formada por uma grande bacia sedimentar, de relevo muito plano (ã exceção de alguns maciços isolados, como a Serra do Amolar e a Morraria do Urucum), variando de 75 m acima do nível do mar, na sua parte sudoeste, até pouco mais de 100 m, nas áreas a norte e nordeste.

O pantanal se estende entre os Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, englobando ainda uma pequena parte do território da Bolívia e Paraguai.

A planície do pantanal se insere na chamada bacia hidrográfica do alto Paraguai, formada por tributários do Rio Paraguai provenientes das cabeceiras Planalto Central do Brasil, e abrangendo uma área de cerca de 496.000 km2., no entanto, destes, somente 140.000 km2 são áreas de planície alagável (o Pantanal, propriamente dito) . Os principais rios existentes no Pantanal são: o Rio Paraguai, Prata, Cuiabá,Taquari, Miranda, Aquidauana, Pantanal do Rio Negro e Taboco.

O clima da região do Pantanal é classificado tropical semi-úmido, seu índice pluviométrico médio gira em torno de 1.500 mm por ano, e as chuvas se concentram no período do verão.

A temperatura média anual varia entre 17o C e 23o C, podendo atingir mínimas de O o C no inverno, devido a massas polares que penetram pelos vales do sistema Paraná-Paraguai.As maiores temperaturas, acima de 40o C são registradas nos arredores de Cuiabá.

Predominam na planície lateritas hidromórficas e solos planos, ambos de baixa fertilidade, embora corram algumas manchas de latossolos de textura argilosa, no leste e nordeste, e de latossolos roxos e terras roxas estruturada no sudeste e noroeste.

A região funciona sob regime hidrológico de “pulso”, com períodos de cheias prolongadas alternando-se ciclicamente com períodos de seca. Tal regime, é motivado pela incapacidade do Rio Paraguai de drenar toda a água proveniente de seus tributários, e pela baixa declividade da planície. Do ponto de vista regional, este fenômeno teu uma importância fundamental, na medida em que retarda o fluxo das águas em direção à bacia do Prata, evitando assim, picos de enchente durante os meses de chuva, e amenizando os efeitos do período de estiagem. Um segundo efeito benéfico é a filtragem de sólidos em suspensão, o que aumenta a transparência da água nos sistemas à jusante. Do ponto de vista local, o regime hidrológico de pulso propiciou o surgimento de uma gama variada de ambientes aquáticos que, em associação com a influência de quatro fitofisionomias distintas, cria condições ideais para a reprodução e abrigo de diversas espécies. Estima-se que o existam: 650 espécies de aves, de mamíferos, 260 peixes e 50 de répteis (IBAMA, 2002), além de servir de habitat para várias espécies raras e ameaçadas, a região tem ainda uma alta taxa de produtividade, permitindo inclusive o desfrute comercial de algumas essências nativas.

A densidade demográfica na região é de 2 hab./km2 e, a maior cidade situada na planície do pantanal é Corumbá, outras cidades importantes como Cuiabá, Coxim, Rondonópolis e Aquidauana situam-se nos planaltos periféricos. Os efeitos do aumento populacional que estas cidades têm sofrido nos últimos anos, no entanto, podem ser refletidos também na planície, uma vez que estas cidades se encontram dentro da bacia hidrográfica do alto Paraguai.

Estimativas recentes indicam que cerca 20% da cobertura vegetal original da região do Pantanal já foi modificada. Apesar de todos os impactos que a região tem sofrido, grande parte dela permanece ainda intacta ou pouco alterada, mantendo populações significativas de espécies raras e ameaçadas, e mantendo suas funções hidrológicas relativamente inalteradas, graças à forma de manejo e ocupação da terra tradicional que ainda persiste, apesar da pressão crescente pela sua substituição por formas de manejo mais intensivas. Isto se deve principalmente ao modelo de ocupação que tem predominado na região nos últimos 200 anos. Ao longo deste período, desenvolveu-se na região uma cultura bastante sintonizada com o seu meio, conseguindo unir exploração econômica à manutenção do patrimônio natural da região, um quadro que vem sendo alterado, em função da pressão pela intensificação de sua produtividade econômica.

A instabilidade deste sistema tradicional face às novas condicionantes sociais e econômicas que representa a maior ameaça que a região tem enfrentado, e precisam ser amplamente discutidos para se desenvolver um modelo de desenvolvimento adequado à região e que possam mitigar ou minimizar os impactos já existentes como: a contaminação de peixes por mercúrio oriundo de projetos de mineração, a caça predatória de animais silvestres ou da redução de habitat, assoreamentos provocados pelo desmatamento de matas ciliares nas cabeceiras dos rios, a poluição de sistemas aquáticos, o sobrepastoreio bovino associado a queimadas e ao desmatamento para o plantio de pastagens, a monocultura de soja nas áreas de planalto, e, mais recentemente, o turismo praticado fora de padrões ambientalmente adequados e a implantação de grandes projetos de infra-estrutura como a hidrovia Paraná-Paraguai.

A região tem atraído a atenção de diversas organizações conservacionistas em função da riqueza de sua vida silvestre, e do importante papel que exerce como reguladora do hidrológico de toda a bacia do rio da Prata. A maioria das ameaças ao equilíbrio da região está associada a formas de manejo e uso da terra baseada em técnicas não sustentáveis.
 


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