Sexta-feira, 24 de Maio de 2013
  
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 MATA ATLÂNTICA

Em 1500 a paisagem dominante na costa brasileira era a densa e exuberante Floresta Atlântica que se estendia a partir do litoral, penetrando o continente em direção ao interior por extensões variadas, de acordo com as características geográficas e climáticas. Estima-se que grande parte dos dois a quatro milhões de índios que viviam no país neste período, habitava na Mata Atlântica. Desde esta época até 1850 foram devastadas enormes áreas de mata em busca dos recursos naturais existentes, o primeiro a ser explorado foi o pau brasil (Caesalpinia echinata) que ocorria em toda a extensão da Floresta e hoje sua ocorrência natural está praticamente extinta.

Fatores como a mineração, os ciclos da cana-de-açúcar e do café, a pecuária e o processo desordenado de ocupação e industrialização contribuíram para a redução acelerada da cobertura vegetal deste bioma.

Os primeiros estudos e registros sobre a Mata Atlântica, desenvolvidos a partir do século XIX mostram que esta floresta cobria boa parte do litoral brasileiro, estendendo-se tanto na região litorânea como nos planaltos e serras do interior que vai desde o Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul, de forma quase contínua. Ao longo de toda a costa brasileira sua largura varia entre pequenas faixas e grandes extensões, apresentando uma variedade de formações que engloba um diversificado conjunto de ecossistemas florestais com estruturas e composições florísticas bastante diferenciadas, acompanhando as características climáticas da vasta região onde ocorre e a exposição aos ventos úmidos que sopram do oceano.

Localizam-se sobre uma imensa cadeia de montanhas, ao longo da costa brasileira, na qual o substrato dominante compreende rochas cristalinas. As montanhas mais antigas estendem-se em áreas da serra do mar e foram formadas por atividades tectônicas. Morros arredondados são formados por grandes blocos normalmente de rochas magmáticas. Já as rochas calcáreas vulneráveis à dissolução química, formam cavernas e grutas.

O solo, em geral, é bastante raso, com pH ácido, pouco ventilado, sempre úmido e extremamente pobre, recebendo pouca luz, devido à absorção dos raios solares pelo extrato arbóreo. A umidade e a presença de grande quantidade de matéria-orgânica tornam o solo susceptível à ação de microorganismos decompositores que possibilitam o aproveitamento dos nutrientes e sais minerais pelos vegetais. O solo raso e encharcado é favorável ao desbarrancamento e à erosão, evento bastante comum na floresta atlântica.

Apresenta um alto índice pluviométrico, em média, os valores variam entre 1.800 a 3.600 mm por ano, esta característica é conseqüência da condensação da brisa oceânica carregada de vapor que é empurrada para as regiões continentais chegando nas escarpas das serras.

A maioria dos rios é perene, constantemente alimentados pela água da chuva que, com maior intensidade, contribui para a mudança de curso destes rios, resultando na erosão de suas margens externas e acúmulo de sedimento nas margens internas. A partir da mudança de curso, também podem ser formadas lagoas de água doce, brejos e lagunas de água salobra (próximas ao mar). Estes rios, alimentados pela chuva, são chamados “rios de água clara”, mas também existem os rios de “água preta”, que possuem lentos cursos de água que drenam as planícies das restingas e mangues, recebendo grande quantidade de matéria-orgânica ainda em decomposição, o que lhes confere a coloração escuta. São rios que formam os estuários e, portanto, possuem relação com a água salgada, dependendo das condições da maré e da época do ano.

A fauna da Floresta Atlântica representa uma das mais ricas em diversidade de espécies e está entre as cinco regiões do mundo que possuem o maior número de espécies endêmicas. Está intimamente relacionada com a vegetação, tendo uma grande importância na polinização de flores, e dispersão de frutos e sementes.

Apresenta uma das mais elevadas riquezas de aves do planeta, com 1020 espécies, sendo 188 endêmicas e 104 ameaçadas de extinção.

Possui 250 espécies de mamíferos, sendo 55 endêmicas, com a possibilidade de existirem diversas espécies desconhecidas, são os componentes que mais sofreram com os vastos desmatamentos e a caça.

Há uma grande quantidade de roedores e quirópteros (morcegos), e apesar de não ser tão rica em primatas quanto a Amazônia, possui um número razoável de espécies (Adams, 2000).

Concentra 370 espécies de anfíbios, cerca de 65% das espécies brasileiras conhecidas, destas, 90 são endêmicas, evidenciando a importância deste grupo.

Possui 150 espécies de répteis, onde grande parte apresenta distribuição geográfica, ocorrendo em outras formações como a Amazônia, Cerrado e a Caatinga, no entanto, são conhecidas muitas espécies endêmicas da Mata Atlântica como o jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) (MMA, 2000).

O número total de espécies de peixes é 350, destas, 133 são endêmicas. O alto grau de endemismo é resultado do processo de evolução das espécies, em área isolada das demais bacias hidrográficas brasileiras (MMA, 2000).

A vegetação presente nos ecossistemas da Mata Atlântica são formações florestais e não florestais, tais como: Floresta Ombrófila Densa, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Ombrófila Mista, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional Decidual, Manguezais, Restingas, Campos de Altitude, Brejos Interioranos e Encraves Florestais do Nordeste (IBGE, 1993). Estima-se que a diversidade total de plantas que a Mata Atlântica possua somente considerando o grupo das angiospermas seja de 55.000 a 60.000 espécies
Atualmente, o crescimento urbano e o consumo dos recursos é o principal fator de degradação da Mata Atlântica, considerando que restam apenas 8% da cobertura original e que este bioma possui uma importância social, econômica e ambiental para o país. Ë necessário que sejam adotadas políticas públicas para aplicação de medidas eficientes para a conservação, recuperação e que incentive efetivamente o seu uso sustentável.

 


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