
Em 1500 a paisagem dominante na costa brasileira era a densa
e exuberante Floresta Atlântica que se estendia a
partir do litoral, penetrando o continente em direção
ao interior por extensões variadas, de acordo com
as características geográficas e climáticas.
Estima-se que grande parte dos dois a quatro milhões
de índios que viviam no país neste período,
habitava na Mata Atlântica. Desde esta época
até 1850 foram devastadas enormes áreas de
mata em busca dos recursos naturais existentes, o primeiro
a ser explorado foi o pau brasil (Caesalpinia echinata)
que ocorria em toda a extensão da Floresta e hoje
sua ocorrência natural está praticamente extinta.
Fatores como a mineração, os ciclos da cana-de-açúcar
e do café, a pecuária e o processo desordenado
de ocupação e industrialização
contribuíram para a redução acelerada
da cobertura vegetal deste bioma.
Os primeiros estudos e registros sobre a Mata Atlântica,
desenvolvidos a partir do século XIX mostram que
esta floresta cobria boa parte do litoral brasileiro, estendendo-se
tanto na região litorânea como nos planaltos
e serras do interior que vai desde o Rio Grande do Norte
até o Rio Grande do Sul, de forma quase contínua.
Ao longo de toda a costa brasileira sua largura varia entre
pequenas faixas e grandes extensões, apresentando
uma variedade de formações que engloba um
diversificado conjunto de ecossistemas florestais com estruturas
e composições florísticas bastante
diferenciadas, acompanhando as características climáticas
da vasta região onde ocorre e a exposição
aos ventos úmidos que sopram do oceano.
Localizam-se sobre uma imensa cadeia de montanhas, ao longo
da costa brasileira, na qual o substrato dominante compreende
rochas cristalinas. As montanhas mais antigas estendem-se
em áreas da serra do mar e foram formadas por atividades
tectônicas. Morros arredondados são formados
por grandes blocos normalmente de rochas magmáticas.
Já as rochas calcáreas vulneráveis
à dissolução química, formam
cavernas e grutas.
O solo, em geral, é bastante raso, com pH ácido,
pouco ventilado, sempre úmido e extremamente pobre,
recebendo pouca luz, devido à absorção
dos raios solares pelo extrato arbóreo. A umidade
e a presença de grande quantidade de matéria-orgânica
tornam o solo susceptível à ação
de microorganismos decompositores que possibilitam o aproveitamento
dos nutrientes e sais minerais pelos vegetais. O solo raso
e encharcado é favorável ao desbarrancamento
e à erosão, evento bastante comum na floresta
atlântica.
Apresenta um alto índice pluviométrico, em
média, os valores variam entre 1.800 a 3.600 mm por
ano, esta característica é conseqüência
da condensação da brisa oceânica carregada
de vapor que é empurrada para as regiões continentais
chegando nas escarpas das serras.
A maioria dos rios é perene, constantemente alimentados
pela água da chuva que, com maior intensidade, contribui
para a mudança de curso destes rios, resultando na
erosão de suas margens externas e acúmulo
de sedimento nas margens internas. A partir da mudança
de curso, também podem ser formadas lagoas de água
doce, brejos e lagunas de água salobra (próximas
ao mar). Estes rios, alimentados pela chuva, são
chamados “rios de água clara”, mas também
existem os rios de “água preta”, que
possuem lentos cursos de água que drenam as planícies
das restingas e mangues, recebendo grande quantidade de
matéria-orgânica ainda em decomposição,
o que lhes confere a coloração escuta. São
rios que formam os estuários e, portanto, possuem
relação com a água salgada, dependendo
das condições da maré e da época
do ano.
A fauna da Floresta Atlântica representa uma das mais
ricas em diversidade de espécies e está entre
as cinco regiões do mundo que possuem o maior número
de espécies endêmicas. Está intimamente
relacionada com a vegetação, tendo uma grande
importância na polinização de flores,
e dispersão de frutos e sementes.
Apresenta uma das mais elevadas riquezas de aves do planeta,
com 1020 espécies, sendo 188 endêmicas e 104
ameaçadas de extinção.
Possui 250 espécies de mamíferos, sendo 55
endêmicas, com a possibilidade de existirem diversas
espécies desconhecidas, são os componentes
que mais sofreram com os vastos desmatamentos e a caça.
Há uma grande quantidade de roedores e quirópteros
(morcegos), e apesar de não ser tão rica em
primatas quanto a Amazônia, possui um número
razoável de espécies (Adams, 2000).
Concentra 370 espécies de anfíbios, cerca
de 65% das espécies brasileiras conhecidas, destas,
90 são endêmicas, evidenciando a importância
deste grupo.
Possui 150 espécies de répteis, onde grande
parte apresenta distribuição geográfica,
ocorrendo em outras formações como a Amazônia,
Cerrado e a Caatinga, no entanto, são conhecidas
muitas espécies endêmicas da Mata Atlântica
como o jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris)
(MMA, 2000).
O número total de espécies de peixes é
350, destas, 133 são endêmicas. O alto grau
de endemismo é resultado do processo de evolução
das espécies, em área isolada das demais bacias
hidrográficas brasileiras (MMA, 2000).
A vegetação presente nos ecossistemas da Mata
Atlântica são formações florestais
e não florestais, tais como: Floresta Ombrófila
Densa, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Ombrófila
Mista, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Estacional
Decidual, Manguezais, Restingas, Campos de Altitude, Brejos
Interioranos e Encraves Florestais do Nordeste (IBGE, 1993).
Estima-se que a diversidade total de plantas que a Mata
Atlântica possua somente considerando o grupo das
angiospermas seja de 55.000 a 60.000 espécies
Atualmente, o crescimento urbano e o consumo dos recursos
é o principal fator de degradação da
Mata Atlântica, considerando que restam apenas 8%
da cobertura original e que este bioma possui uma importância
social, econômica e ambiental para o país.
Ë necessário que sejam adotadas políticas
públicas para aplicação de medidas
eficientes para a conservação, recuperação
e que incentive efetivamente o seu uso sustentável.